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Idade da reforma vs dignidade da classe de Pilotos

Sexta-feira, 23 Setembro, 2005

Independentemente das licenças de voo serem prolongadas até aos 65 anos de idade ou até utente ter saúde para voar, existe um problema mais premente e recente que é idade da reforma. O signatário deste artigo, numa fase embrionária assinou um documento com o intuito de dilatar a validade das licença de voo. O respectivo documento deu origem a um movimento. Pelo que já se leu sobre o assunto esse movimento evoluiu muito ruído e para fazer valer os seus interesses, actuou sem consultar as instituições ou as instituições não lhe deram o devido valor. Para o efeito, pouco interessa discutir isso. Esses tempos de querer que a licença vá para os 65 anos já não interessam. Os tempos que correm são perigosos demais para andarmos a brincar com coisas sérias.
Sempre se tem abordado o problema de uma forma hipócrita alegando que, o que era mesmo bom era poder-mos voar até aos 65 anos mas manter a idade da reforma aos 60 ou como foi referido na última Assembleia-Geral sobre o assunto, hipótese de reforma a partir dos 55 anos. O movimento auto denominado Pró-Reforma tem vindo a afirmar que este é o seu objectivo único e que de forma alguma quererá que a idade da reforma passe para os 65.
Estas discussões já longas, existem alguns diferendos de opinião entre os dois grupos em causa, grupos esses que incluem a totalidade dos elementos da classe, mas o que verdadeiramente está a ser discutido não será outra coisa que: Queres voar até aos 65, passarás à reforma aos 65. O movimento Pró-Reforma está a ir longe demais com os seus desígnios iniciais e não poderá garantir que os Governantes seguirão esta postura. Se isso acontecer, gostaria de saber que movimentos constituirão depois para manterem as actuais regras do jogo. Vão-nos obrigar a trabalhar mais 5 anos a troco de solidariedade por quem? Este movimento Pró-Reforma sempre alegou que só queria que as licenças de voo passassem para os 65 anos, logo, como as ditas licenças Jar-Fcl, já as podem utilizar algures na Europa. Em Portugal as coisas não vão ficar só pelas licenças e isso irá prejudicar quem não está interessado em trabalhar até morrer.
Da forma como se extremaram as coisas, não existem lirismos possíveis, se queremos continuar até aos 65 anos também teremos de nos reformar aos 65. Já todos nos apercebemos que a oportunidade política é bastante perigosa e só há uma coisa a fazer caso sejam alteradas as idades da reforma para os 65. Para isso, está o SPAC mandatado de uma maioria absoluta. Não poderemos fugir um centímetro deste objectivo, caso contrário iremos bipolarizar a classe levando-a para caminhos muito sinuosos.
Alega o dito movimento que poderemos continuar a voar para além dos 60 anos porque ainda temos condições de saúde suficientes para o fazer e que temos direito ao trabalho. No que concerne ás condições de saúde é bastante discutível mas se são assim tantas, aproveitem-nas para terem alguma qualidade de vida na velhice. Aceitem a velhice com um dom e não como uma moléstia. Não existe nada mais interessante, nessas idades, do que podermos acompanhar as metamorfoses da vida com simplicidade e orgulho do que fizemos ao longo dela. No que diz respeito ao direito ao trabalho, ninguém proíbe os pilotos de trabalharem após os 60 anos. Usem a licença de voo como bem quiserem, nos Países com essas regras de jogo.
As divergências dentro da classe de pilotos sobre este e outros assuntos, contrariamente a outras classes, devem-se basicamente pela falta de união motivada por alguns factores, tais como:
1) Formação Académica de base.
2) Tipo de Empresas onde trabalham.
3) Histórico da carreira.

FORMAÇÃO ACADÉMICA
Não consigo entender que em 2001 se possa tirar um curso de piloto de linha aérea após acabar o 12º ano. Um estudante, com a escolaridade mínima obrigatória dentro de 2 anos, fica cansado de estudar e pede ao pai ou ao banco 40.000 Euros, tira um curso de piloto de linha aérea. 12 a 18 meses depois entra numa companhia de aviação e começa a receber de vencimento 2500 a 4000 euros. Em simultâneo, os colegas que entraram para a Universidade terão de lá permanecer, no mínimo 4 a 6 anos. Estes cursos acelerados de pilotagem, fazem-me lembrar os cursos de regente agrícola. Antes do 25 de Abril, um estudante que terminava o 5ºano do liceu poderia enveredar pelo curso de regente agrícola durante dois anos e quando terminava o curso ia para uma quinta agrícola ou vender insecticidas. Depois do 25 de Abril, esses regentes agrícolas passaram a denominar-se Engenheiros Técnicos Agrários. A nossa classe está cheia de Engenheiros Técnicos Aéreos.
Este tipo de formação académica, exigível aos dias actuais, não nos atribui estatuto suficiente para discutirmos com políticos, gestores de empresas ou empresários o que quer que seja. Estamos há muitos anos a esta parte, a perder capacidade negocial, a trocar trabalho por meia dúzia de tostões e a reduzir até à exaustão as regalias outrora existentes. À sombra da competitividade temos vindo a vender os baluartes da profissão e isso deve-se à falta de união da classe e ao seu baixo nível de formação.
As empresas de Aviação estão a admitir para os seus quadros, pilotos com o 12º ano de escolaridade (em 2007 será escolaridade mínima obrigatória) enquanto que a NAV está a admitir para os cursos de controlador aéreo uma licenciatura com desempenho em matemática. Estes são os requisitos para a TAP: -Mínimo 12.° Ano de Escolaridade (Reconhecido pelo Ministério da Educação);-Domínio de Português e Inglês (escrito e falado);-Conhecimentos de informática na óptica do utilizador;
Estamos a utilizar a Tap como poderíamos utilizar outra empresa qualquer. Nenhuma delas exige mais do que acima referido.
Parece-nos haver alguma inversão de valores mas só nós, nos poderemos culpar disso. Não é em vão que os controladores aéreos se reformam aos 55 anos e se algo não lhes agrada, ninguém voa, mas eles só são controladores. Tenho todo o respeito pela profissão em causa e pena é que, não consigamos as mesmas regalias.

TIPO DE EMPRESAS
Existem grandes diferenças entre empresas de aviação em Portugal. Não se devem confundir as empresas com a qualidade dos seus pilotos e se são ou não melhores dependendo da empresa onde trabalham. Algumas mentes perversas poderão pensar que ganhando mais são melhores. Esta diferença entre empresas, só interessa nesta altura ser avaliada pelas regalias que dão aos seus pilotos. Os salários e regalias não são sequer parecidos fomentando assim alguma concorrência desleal no mercado. Temos assistido ao longo dos anos a alguma inveja escondida pelos que estão em piores situações mas nada tem sido feito para quebrar as diferenças. È evidente que o que está em causa é o sucesso das empresas e não a qualidade dos pilotos porque essa, só Deus sabe. Espero que num futuro muito próximo, as Empresas tenham mais honestidade no mercado, possam jogar com as mesmas regras e aumentem a formação dos seus quadros superiores exigindo formação superior. Quando todos nivelarmos por cima e falarmos a mesma linguagem, parece-me ser a altura indicada para sermos coesos e exigirmos em uníssono aquilo que queremos. De certeza que não será trabalhar mais e até mais tarde.
Todas as empresas, sejam elas públicas ou privadas, terão de repensar, se aceitam que os seus quadros superiores que à data contrataram até aos 60 anos, possam permanecer até aos 65 anos. Não poderão esquecer que todos aqueles subsídios de senioridade e diuturnidade aumentarão significativamente a carga salarial. A produtividade de um Comandante com 64 anos não poderá ser a mesma de um comandante de 35 anos. A predisposição para o trabalha terá que ser forçosamente diferente. A carga salarial de um piloto de 35 anos será muito semelhante a metade de um piloto de 60 anos dentro da mesma empresa. Se uma empresa poder pagar dez a um funcionário porque razão há-de defraudar os accionistas pagando 20. Como irá ser a gestão de tripulações nos voos para os Estados Unidos cujo senado acabou de recusar uma proposta para aumentar a validade das licenças para além dos 60?
Esperemos que as empresas deste País não enveredem por megalomanias de funcionários desprovidos de senso comum que os torna maus para si próprios. Tenho confiança que as empresas façam cumprir os contratos que assinaram com os seus colaboradores e não os deixem ficar ao serviço para lá dos 60 anos. Elas deviam criar um lobby para que o Governo não autorize os seus pilotos a passarem à reforma aos 65 anos.
HISTÓRICO DA CARREIRA
Sou bastante sensível ao passado de cada piloto, mas gostaria que também fossem sensíveis ao meu. Se analisarmos as intenções umbilicais de cada piloto para estes assuntos, decerto iremos encontrar mil e uma razão. Uns porque iniciaram a sua carreira contributiva tarde demais, outros porque andaram por fora e não sabiam que poderiam descontar para contagem de tempo, outros porque casaram pela quinta vez e têm filhos pequenos ainda na escola primária, outros porque ainda não casaram mas querem casar e depois precisam de mais dinheiro, outros porque têm uma reforma mas é pequena e não conseguem ter tempo para fazer outra reforma, outros ainda porque estiveram no desemprego até aos 40 anos e só vão ter 20 de descontos, outros porque estiveram no fim do mundo e lá não se usava pagar impostos, outros porque chegaram a pilotos aos 45 anos ou 50 e só agora é que começaram a descontar e a descobrir as coisa giras da aviação, outros porque são solidários com qualquer tipo de movimento e outros ainda porque são do contra. Não quero abordar o tema por aí porque as regras já estão definidas há muito tempo e todos deveriam ter pensado nisso quando decidiram entrar neste campeonato. Não me parece ser justo mudar as regras do jogo a meio, aliás como está na moda. Só que esta não é uma profissão qualquer e se a querem transformar nisso então não contem comigo.

CONCLUSÃO
Como diria um amigo meu ? temos de contar as espingardas. Está na altura decisiva para sabermos o que queremos. O signatário, que nunca deixou que outros falassem por si, vem publicamente definir a sua posição:
Respeitar na íntegra o que foi decidido na Assembleia-geral de Pilotos sobre a matéria e reforçar essa decisão. Não existem meios-termos neste momento, quem não é a meu favor é contra mim. O tempo da conversa mole sobre o assunto terminou.
Carlos Soares

SKYPE

Segunda-feira, 5 Setembro, 2005

SKYPE

Seria uma boa ideia a rapaziada fazer o Download do Skype e falar de borla na Internet.
Já que não escrevem, pelo menos falem.
Carlos Soares

Férias prolongadas

Segunda-feira, 5 Setembro, 2005

Ferias

A rapaziada não diz nada, é porque está de férias.
O Verão está prestes a terminar e espero que os Penduras tenham alguma ideia interessante depois do Verão. Não tenho lido nada de ninguém e gostaria de saber notícias da rapaziada. O último que me contactou foi o Cartuxo. Parece-me que o moço se fartou de estar bem. Deixou o Brasil para vir trabalhar para este Braseiro. Encontrei o Viegas na casa de um amigo comum e informou-me que o Fafe foi para o Brasil. Provavelmente vamos perdê-lo porque o Fafe no Brasil é melhor sairem da frente. Continuação de bom Verão para todos. Eu vou continuando a trabalhar para tentar colmatar as dificuldades do défice.
Carlos Soares